Binho já é quase homem, tem quase catorze anos e já é quase barbeiro no salão de seu pai. Ainda é meio oficial, aprende os últimos segredos da arte da tesoura e da navalha. Já não corta tantos queixos, nem faz muito caminhos de rato nos cabelos dos fregueses. Mais um pouco e será, com certeza, um bom oficial, como seu pai, não tão falante como ele pois é algo tímido. Introspectivo, já o era no tempo de engraxate, no mesmo salão do pai, tempo que passou depressa pois o moleque espichou rápido e é hoje um bitelo espigado, altura de homem feito. Só lhe falta carnadura, que virá com o tempo. Binho estuda de manhã e vai para o salão depois do almoço. Lá pelas quatro da tarde uma fominha começa a apitar na barriga e ele fica na espera do som da matraca do vendedor de amendoim. Pontual como um britânico, às quatro e meia lá vem o homem agitando seu inst...