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Mostrando postagens de novembro, 2014

DIA DA PÁTRIA

            O menino ainda não tinha idade para a escola, mas tinha vontade, nem tanto pela escola em si, um ser desconhecido que morava detrás do muro, mas por causa do irmão mais velho. Irmão mais velho é sempre ídolo, o menino ainda não sabia, só sentia. Queria ser como o irmão, grande, forte, queria vestir o uniforme do irmão, calção marinho e camisa branca de bolso bordado. Queria ter uma mala preta, cheia de cadernos, lápis, e até caneta. Uma lancheira, com o lanche gostoso que a mãe faz. E o beijo da mãe, quando despedia de manhã. E o alvoroço, quando voltava, hora do almoço.             Naquele almoço o irmão voltara mais animado que de costume. Voltava sempre animado, mas naquele dia voltou mais, ia tocar repique no desfile da escola; dia da pátria estava chegando e tinham começado os ensaios. Falava e ria, todo contente, como passarinho na árvore. O menino escut...

SIGNOS

            Toda gente tem dois signos, um chinês e outro do zodíaco; eu tenho três, os dois indicados e mais um, do destino — ou das circunstâncias — não sei como chamá-lo. Há quem neles acredite, e os que não; também aqui não sei quem vale mais, suponho que a turma do sim. Ensinaram-me desde sempre a não ser negativista, por isso proclamo: bem aventurados os que creem, porque deles será sempre a esperança.             Nem bem começo e acabo de escorregar para um estilo bíblico. Como sei que nada acontece por acaso, que tudo está determinado desde o começo dos tempos, soaria falso me desculpar agora, embora fosse muito fácil fazê-lo. O venerável respeito que nutro pelo leitor, no entanto, obriga-me a declinar de fingidas escusas e aproveitar o fortuito fado para pedir permissão e continuar narrando com outra expressão do mesmo estilo.      ...