Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de dezembro, 2013

PREGUIÇA

            Sexta-feira, fim de expediente, toca o telefone: Bruno.             E aí, meu velho, vamos para a noitada?             Sei não, canseira, aquele maldito inventário veio cair na minha mão!             Deixe os mortos pra lá e venha curtir os vivos, melhor dizendo, as vivas; Jane recebeu uma prima do interior e vamos sair os três; com você arredonda. Ontem conheci a tal prima. Rapaz, sabe a Sophia Loren do filme Girassóis da Rússia? Aquela mulher que você vive dizendo a mais linda do mundo? Pois é igualzinha, a prima, sem tirar nem pôr. Ê, sortudo que você é, queria eu! Pena que não posso. E aí, vai perder essa?             Sei não; vou pra casa, tomo um banho e depois a gente se fala.  ...

MACHADO ASSASSINO

            Benício é um burocrata, servidor nível médio de um ministério secundário, homem de poucas letras. Sua vida não teve nada de extraordinário e não seria matéria para nenhum romance ou novela, salvo o capítulo final, que, pelo inusitado, poderia merecer uma crônica.             É bem verdade que crônica alguma ficaria boa se explorasse só o lance final da tragédia de Benício. Necessário se faz contar alguns antecedentes para que a história tenha algum sentido. Mesmo assim, muitos ainda dirão que o último ato é um verdadeiro “non sense”. É que a humanidade é composta de crentes e de céticos e, por mais que se faça, sempre hão de existir os que duvidam, sejam quais forem as provas apresentadas. Não é para estes que escrevo, mas para o leitor normal, que acredita naquilo que se lhe conta, desde que o conto conserve alguma verossimilhança.    ...