A Lua Cheia e a Noite são duas velhas senhoras e como tal devem ser respeitadas. Enquanto a Noite, dissimulada, esconde em seus escuros os sinais da idade, a Lua só faz isto em ocasiões de plenilúnio, quando a luz chapada que do Sol recebe permite algum disfarce. Contudo, basta surpreendê-la nos primeiros crescentes, ou nos últimos minguantes, e as marcas da antiga varíola se fazem notar em sua epiderme. Embora velhas e diversamente vaidosas elas se gostam e, quando se encontram, dão-se a folguedos como se fossem duas gurias. Dançam pelo ar, onde se escondem atrás de nuvens distraídas, bailam pelo chão levantando poeira, brincam de esconde-esconde. O escuro da Noite, quando flagrado por algum raio de luar, derrete-se em penumbra e vão então, luz e penumbra, desenhando figuras de coisas e gente. Às vezes algum Vicente, à beira de mares mediterrâne...