Primeiro uma explicação, depois, a história; uma sem outra é como pão sem manteiga. Quando alguém sonha, costuma ser a pessoa principal do sonho, tudo que acontece a ela se refere. Neste sonho que vou contar a coisa se complica: surpreendo-me, eu sonhador, incorporado a outra pessoa, que chamo de sonhado. É como se um ego tivesse invadido o corpo de outro ego, só que, ao contrário das histórias de terror, não existe dominação nem guerra entre eles; convivem placidamente. Contudo, somente um deles tem consciência da dualidade, o ego do sonhador, ou seja, o meu. O sonhado nem desconfia. Esclarecido o ponto, vamos sem mais delongas ao prometido sonho, que por ser um tanto estranho, talvez até leve a desconfiar de incipiente esquizofrenia, tese que peço ao precavido leitor não abraçar porque, ao final do relato, encontrará justificativas. ...