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Mostrando postagens de maio, 2017

ESQUECIMENTO

            Pronto, a luz está piscando, deve ter ligado.             O primeiro registro que faço é para agradecer ao amigo Alê, meu guru de modernidade, que ajudou a comprar este gravador lá na Santa Efigênia e me ensinou a lidar com ele. Culpa da Bebel, que me levou a consultar o senhor, dr. Antônio. Um geriatra! Só porque ela acha que estou ficando um tanto esquecido. Quando entrei em seu gabinete tive uma sensação de estranhamento, como pode um moço de pouco mais de trinta anos entender as coisas da velhice? Durante a consulta até brinquei com o doutor, falei que do seu nome não ia esquecer. Por quê? Porque era o nome de meu pai, que Deus o tenha. Pois não é que o senhor, dr. Antônio, até que me surpreendeu? Como todo médico, fez perguntas, escreveu   receita, pediu exame de sangue e, o que eu não esperava, quis que eu gravasse tudo que viesse a fazer durante ...

O SONHO DE MAQUIAVEL

            Certezas se derretem. Ingênuos os jovens que pensam que tudo sabem, seus saberes também serão derretidos. É do fado humano. Nosso engenho pode até se agigantar, mas fatalmente será um dia derretido, ação do Tempo, esse cadinho universal. Vejam nosso Clube da Bengala, nasceu forte e hoje está prestes a desaparecer. Éramos oito sócios, mas um desistiu, três faleceram e hoje somos apenas quatro: o decano Oswaldo, de saúde debilitada, que não tem comparecido às reuniões, eu, Hermes e João. Três, que sobramos, nos encontramos a cada quinzena com o objetivo de manter vivo o moral da tropa. Não sei até quando, pois já passamos dos verdes anos e cataratas e lumbagos têm afligido nossas existências. A finalidade do Clube já foi dita: manter vivo o moral da tropa.             Aposentados, nos reunimos em almoço para falar de tudo. Antigamente, de mulher, nosso assunto...