Marcos abre a porta da varanda e descortina a paisagem onde a neve resplandece a luz do sol, mas, avara, guarda para si a energia amarela e reflete apenas brancura. Os olhos não se dão conta desse curioso processo de fotossíntese, absorto que estão na contemplação do abismo que se aprofunda a um palmo da amurada de vidro. Aquele vazio exerce sobre o homem uma atração hipnótica. Elemento principal da cena, o solo tem contornos esmaecidos pela reverberação de luz e, picotado de pistas de esqui, eleva-se em montanhas ainda antes de atingir o horizonte. Alguns vultos, vestidos de vermelho ou amarelo, deslizam manso pelas colinas macias. Marcos, contudo, não os vê, não enxerga a paisagem, não enxerga as montanhas, continua hipnotizado pelo precipício que tem a seus pés. — Marcos, querido, me ajuda a desfazer as malas! * ...