Era uma manhã clara, o carro de Apolo já percorrera um quarto do caminho e sua luz reverberava nas anfractuosas faces da montanha. Neste fim de mundo ignorado minha busca terminara. Lá estava ele, gigante sofrido, imponente apesar das eras, belo como soem ser os visionários, puro como são os de coração generoso. E, no entanto, acorrentado. Preso em cadeias mágicas, o dorso encostado à rocha nua, o ventre desprotegido e ferido a gotejar sangue divino. Fiz-lhe a pergunta: - Por quê, oh sublime titã, por que foste ajudar o homem? Não me respondeu. Olhou-me apenas, e naqueles olhos negros vi brilhar a luz de uma fé imorredoura. Fé em nós, que não fizemos por merecê-la. Senti-me humilhado e, com vergonh...