(Oração aos moços) Esses moços! Pobres moços! Ah se soubessem o que eu sei... Não sabem o que a vida lhes reserva. O sol quente do verão será um sol frio no inverno. O viço das flores do jardim dura pouco, logo fenece. É o tempo que passa, é a vida que corre e o amanhã logo vira ontem. Mas afinal, o que é a vida? Diga lá meu irmão. Eu, quando jovem, subia as escadas pulando os degraus de dois em dois; agora, me apoiando no corrimão, claudico ao descê-las e subo arfante. O cancioneiro antigo e o seresteiro moderno, ambos cantam com entusiasmo as cores de sua aquarela... que descolorirá. Viver é perigoso, diz e repete o Riobaldo. Viver é preciso, digo eu, contrariando o lema de Sagres: navegar não é preciso; viver é preciso. A vida, com suas agruras e sofrimentos, valerá a pena? Só se a alma não for pequena. ...