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Mostrando postagens de setembro, 2022

UMA MOÇA DE OLHOS BONITOS

              Tempos de pandemia! Usar máscara é de lei, e todos a levam no rosto cobrindo nariz, boca e queixo. Apenas os olhos ficam a descoberto.             Em uma manhã não tão bela acordei de uma noite mal dormida. Tivera frio, vômitos e febre. Os sobreviventes hão de lembrar que, quando a variante Ômicron chegou, ela se espalhou como fogo em rastilho de pólvora; parecia que todo mundo ficava doente. Por isso, com toda razão, pensei comigo: estou infectado; vou fazer o teste! Estando o mundo inteiro também a se infectar, faltavam testes.             Agarrei o telefone e pesquisei as farmácias do bairro. Em uma delas, das menores e mais escondidas, havia possibilidade de realizar o teste, mas só depois das quatro da tarde. Agendei para quatro e meia. Voltei para a cama e fiquei na aguarda.    ...

MANHÃ NA PRAIA

              O sol dardeja seus raios duros sobre as águas adormecidas do mar. Atravessam eles a superfície inerte e vão caindo no abismo. De início conservam o brilho de origem, mas, cada vez mais fundo, vão esmaecendo até se amalgamarem ao escuro absoluto de uma noite eterna.             O mar sem vento não ondeia e, assim parado, é sonolento e esquecido; esqueceu-se de bem refletir o céu azul claro, inteiramente despido de nuvens. Parece que, atordoado do sono, prefere deixar chegar à superfície de suas águas a escuridão de seu fundo. Veste-se, então, de uma roupagem que pinta de preto o azul emprestado do céu.             Este mar morto, de olhos fechados, ainda que os tivesse abertos, não veria voar em seus ares ave alguma. Aves gostam de vento, e como não os há, foram voar em outras paragens. Faz calor e o cé...