Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de março, 2018

CACHINHOS DOURADOS

            Todo exemplar da espécie humana tem marcadores que o definem e que servem para torná-lo único: um indivíduo! Que é diferente de todos os outros, irremediavelmente distinto, ostentando o galardão de que a Natureza todo-poderosa, ainda que para isso gaste a eternidade inteira, ainda assim, não conseguirá produzir outro igual. Somos únicos. E cada um de nós é, em si mesmo, um universo de fatos e emoções que só pode ser vivenciado por si próprio. Que desperdício, quanta riqueza teríamos se pudéssemos usufruir do tesouro de cada um!             Registro abaixo dois fatos de meu universo pessoal que ajudam a definir o homem que sou: a aposentadoria e a segunda Faculdade. Faço-o por dois motivos, por não querer guardá-los egoisticamente só para mim e para facilitar a vida de um possível futuro biógrafo (Com Conan Doyle aprendi que o mais improvável costuma acontece...

ESTRELAS NA ÁGUA ESCURA

            Nestes tempos bicudos em que o bicho homem faz todo esforço para aniquilar a vida do planeta, e quando alguns de nós erguemos trincheiras para defendê-la, que tal, leitora amiga, fugirmos um instante e esquecer nossas mazelas? Não, não é covardia, até as guerras têm momentos de armistício, é quando se renovam forças para novas batalhas. Ao dia árduo de refregas sucede a noite benfazeja; mansa, vem ela lamber as feridas do guerreiro. Façamos nós uma breve escapada, que não envolve planejamentos logísticos, apenas uma viagem em pensamento. Não te roubará precioso tempo, somente poucos minutos. Relaxa, respira e deixa fluir a imaginação. Vem comigo nesta fantasia!             Olha lá em baixo, é o rio Paraguai. A água corre mansa dentro da noite, parece gemer baixinho, não de lamento, mas de preguiça. A superfície lisa esconde o movimento que lhe escorre por ba...

UM CASAL ARIANO

            Era sua primeira viagem de navio; João e Maria, aposentados, podiam se dar ao desfrute, nada nem ninguém os exigia em casa. Haviam reunido alguma economia e podiam gastá-la na travessia do Atlântico. Foram para a Europa de avião e voltariam cruzando o oceano. Visitaram Roma, Florença, Veneza e Milão e chegaram a Gênova, onde começaria a verdadeira aventura, o cruzeiro marítimo.             Dentro do navio, na segunda noite de navegação, durante um coquetel de boas-vindas patrocinado pelo capitão, viram pela primeira vez o casal ariano. Ele, espigado e hercúleo, cabelo loiro cortado à escovinha, mantinha-se quase imóvel e, quando se mexia, era de modo comedido, ora bebericando, ora depositando na mesinha à sua frente o pequeno copo de uma bebida certamente forte. Os olhos claros, de reflexos metálicos, moviam-se continuamente como se estivessem mantendo o amb...