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Mostrando postagens de julho, 2016

POR FORA BELA VIOLA

            A tarde caía lenta e macia, como costumam cair os bêbados ao chão, pois têm um deus que os protege quando não está distraído. O Sol, outro distraído, ainda que não bêbado, já havia tropeçado na linha do horizonte e despencara pelo abismo que lá existe e que separa este lado do mundo do outro. Esquecido que é, todos os dias repete a mesma queda e nunca se alembra; é que não se machuca, sabe voar. Velho, talvez cansado, não abdica, porém, de seu papel de primeiro deus dos homens e, por onde passa e os encontra, vai dardejando seus raios de vida. Portentoso, narcisista, chega sempre esplendoroso no novo palco e não admite a concorrência de outros brilhos; manda na frente sua filha Aurora apagar as estrelas notívagas ou algum pedaço de lua boêmia. Vaidoso também, nunca deixa de portar sua capa translúcida, que vai arrastando pelo chão do céu e que continua a clarear este nosso lado mesmo depois dele já ter descido ao out...