Mas que falta de consideração! Aqui estou eu deitado de bunda para cima, todo pelado, esperando não sei o quê. Cadê os direitos humanos de que tanto se fala? Afinal, defunto também não é gente? Se pudesse, berrava, queria falar com o Diretor, fazia um fuzuê. Mas o diabo é que não posso me mexer; nem abrir o olho, sô! Que mancada... Aquele filho de uma égua! Tinha que me dar aquela fechada, o cachorro? E agora está lá, numa boa. Fugiu, ninguém sabe, ninguém viu. E eu aqui. Presunto fresco. Bem que a mãe dizia, põe o capacete de proteção. Mas não, eu tinha que me mostrar para as gatinhas, exibir os cabelos soltos, agitados do vento. Agora, ó para você! Coitada da velha! Como berrava, quando me viu. Quase que desmaia. E o coroa, então? Que tristeza nos olhos! Chegou a perder aquela cara de boi sonso, que sempre teve. Na Marlene deu um chilique. Aquela vaquinha... Já estava me botando chifre com o Oscar, e fez aquela onda toda. E agor...