Felipe, o Belo, espera com paciência o retorno do atendente. Uma mágoa vence seu desprendimento natural: está a poucos minutos de perder seu amado relógio. O moço da Caixa foi consultar o chefe sobre o valor que pode liberar no penhor do Rolex. Novo no cargo, explicou ter experiência com ouro e joias, mas não com relógios. — Um minutinho só, meu senhor! — pedira ele. Obviamente não levará apenas um minuto, há que se entender a simbologia das palavras. Enquanto esperamos, só para passar o tempo, poderíamos entrar na cabeça de Felipe e seguir seus pensamentos. Quem sabe não entenderíamos melhor a situação? Seguramente que no mundo real não teríamos como fazer esta mágica, porquanto, para entrar em sua cabeça, seria forçoso quebrá-la, e aí não mais encontraríamos pensamento algum, d...