— Triste o país que precisa de heróis! – exclamou o homem sábio, e se pôs a divagar sobre isso. O homem do povo o escutava com atenção, não é sempre que tinha uma oportunidade como essa. De poucas letras – mal-e-mal havia sido desasnado pela professorinha – pouco mais da metade entendia do que o homem falava, mesmo assim já era muito, acostumado que estava a só ouvir o cacarejar das galinhas e, vez por outra, o zurrar lastimoso da mula Zenaide. E o homem falava; contava que um povo feliz não precisa de heróis, que barriga cheia e saúde boa são suficientes para garantir uma noite de sono. Só precisa de heróis o povo que não dorme bem e, assim mesmo, um domingo na igreja muitas vezes resolve o caso dos insones. A absolvição do pecado costuma trazer de volta a paz perdida. Contudo, se a fome se instala na cozinha e o frio espreita pela janela, aí si...