George ia entrando nos sessenta anos quando perdeu a mulher, levada pela doença que, ironicamente, tinha o mesmo nome do signo em que ela nascera, e que não repito para não atrair azar. Companheira havia mais de trinta anos, Mary, o nome dela, era recatada e submissa. Não tiveram filhos, por isso George era agora um homem só. Mesmo que os tivesse, ainda assim estaria só, pois filhos o mundo leva e os transforma em cartões postais e uma ou outra visita de Natal. Anglicano convicto, como todo bom súdito da rainha, continuou a frequentar a igreja, como sempre havia feito com Mary. De início não sentiu muito a falta da companheira, mas a solidão aos poucos foi lhe pesando na alma e a falta foi se impondo sorrateira. Não tardou muito para ele reconhecer que tinha de fato amado a mulher e arrependeu-se de não o ter dito a ela nos últimos tantos anos. S...